População em situação de rua: um olhar da terapia ocupacional

Ano de publicação: 2020
Teses e dissertações em Português apresentado à Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul. Escola de Saúde Pública para obtenção do título de Especialista. Orientador: Guimarães, Cristian Fabiano

A população em situação de rua enfrenta desafios e atribulações no cotidiano para alcançar minimamente uma sobrevivência. Além da violência pregressa na história de cada sujeito, em que o caminho de vida dessas pessoas levou a essa situação, a vivência na rua é impregnada de outros riscos e privações como escassez de alimentos, dificuldade para dormir / má qualidade de sono, ausência de estrutura e recursos para realizar a higiene pessoal, para organizar e manter sua documentação, etc. Viver na rua perpassa um passado de rupturas com as redes sociais e também estar inscrito numa precarização do trabalho que leva à desfiliação. Estar nas ruas agrega um viver sobremaneira carregado de dificuldades e agressões sociais que afetam a saúde dessas pessoas. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi analisar as produções de terapia ocupacional que estudam a temática da população em situação de rua tendo como metodologia a revisão integrativa da literatura. Realizamos um estudo exploratório que consistiu na busca de publicações que dialogam com a temática da população em situação de rua no campo da terapia ocupacional brasileira.

Para a síntese de conhecimento utilizamos dois principais caminhos:

revisão direcionada e levantamento sistematizado de dados. Os resultados evidenciaram o capitalismo como principal produtor de miséria e desigualdade, tendo em consequência a população em desfiliação. Também pontuaram a importância do trabalho do terapeuta ocupacional junto à população em situação de rua e sua inserção nas equipes de cuidado dessa população. O atendimento em saúde da população em situação de rua é realizado basicamente pelos Consultórios na Rua. Mesmo com a intervenção da equipe do Consultório na Rua ainda há dificuldade em articular o atendimento na rede. Os serviços de saúde pública convencionais seguem inacessíveis à esta população. Conclui-se que é urgente que a saúde pública possa olhar para isso, criando políticas públicas para democratizar o acesso à saúde de toda a população, incluindo de modo efetivo a população em situação de rua.

Mais relacionados