Rev. méd. Minas Gerais; 32 (), 2022
Publication year: 2022
Objetivo:
Descrever o diagnóstico e manejo clínico da deficiência da
21-hidroxilase (D-21OH), no contexto atual de inclusão da doença
nos programas de triagem neonatal, bem como características genéticas,
fisiopatológicas e manifestações na infância e adolescência. Fonte de
Dados:
Revisão integrativa realizada nas bases de dados MEDLINE
(PubMed), LILACS (BVS), Scopus, Web of Science nos últimos vinte anos,
em língua inglesa e portuguesa; população-alvo: crianças da primeira
infância à adolescência; com o uso dos termos "triagem neonatal",
"hiperplasia adrenal congênita", "deficiência da 21-hidroxilase",
"glucocorticoide" e “polimorfismos do gene NR3C1”. Síntese de Dados:
A hiperplasia adrenal congênita (HAC) constitui um grupo de doenças
caracterizadas por deficiências enzimáticas na esteroidogênese do córtex
adrenal. A D-21OH é responsável por 95% dos casos e, se não tratada
precocemente, pode levar ao óbito no período neonatal em sua forma
clássica. A triagem neonatal para a HAC consiste na dosagem do precursor
17-hidroxiprogesterona (17OHP) no sangue de recém-nascidos,
permitindo rápida confirmação diagnóstica e instituição da terapêutica.
A implantação da triagem neonatal constitui um avanço, mas o controle
dos pacientes pediátricos com D-21OH é complexo e deve ser sempre
individualizado. Conclusão:
A instituição dos programas de triagem
neonatal para HAC tem trazido benefícios para o prognóstico das crianças
com D-21OH. Seu manejo é multiprofissional, individualizado e ainda
um desafio mesmo para o especialista. Ampla divulgação do conhecimento
sobre a doença é desejável para permitir melhor condução dessas crianças,
especialmente de meninas com a doença que apresentam genitália atípica.
Objective:
To describe the diagnosis and clinical management of
21-hydroxylase deficiency (21OH-D), in the current context of
including the disease in neonatal screening programs, as well as genetic,
pathophysiological characteristics, and manifestations in childhood and
adolescence. Data Source:
Integrative review performed in MEDLINE
(PubMed), LILACS (BVS), Scopus, Web of Science databases in the
last twenty years, in English and Portuguese; target population: children
from early childhood to adolescence; with the use of the terms “neonatal
screening”; “congenital adrenal hyperplasia”; “21-hydroxylase deficiency”;
“glucocorticoid”; “polymorphisms of the NR3C1 gene”. Data Synthesis:
Congenital adrenal hyperplasia (CAH) is a group of diseases characterized
by enzyme deficiencies in adrenal cortex steroidogenesis. 21OH-D is
responsible for 95% of cases and, if not treated early, can lead to death
in the neonatal period in its classic form. Neonatal screening for CAH
consists of measuring the precursor 17-hydroxyprogesterone (17OHP)
in the blood of newborns, allowing rapid diagnostic confirmation and
institution of therapy. The implementation of neonatal screening is an
advance, but the control of pediatric patients with 21OH-D is complex and
must always be individualized. Conclusion:
The institution of newborn
screening programs for CAH has benefits for the prognosis of children
with 21OH-D. Its management is multi-professional, individualized and
still a challenge even for the specialist. Wide dissemination of knowledge
about the disease is desirable to allow better management of these children,
especially girls with the disease who have atypical genitalia.