Femina; 51 (3), 2023
Publication year: 2023
Objetivo:
Avaliar as atitudes e crenças de pacientes e médicos ginecologistas-obstetras
sobre o rastreamento cervical e o exame pélvico no Hospital Universitário
de Brasília (HUB). Métodos:
Foram realizadas entrevistas com pacientes que aguardavam
por uma consulta previamente agendada no ambulatório de ginecologia e
com médicos ginecologistas-obstetras que atuavam no HUB. Cada grupo respondeu
a um questionário que enfocava a realização do rastreamento cervical e do
exame pélvico (EP). Resultados:
No total, 387 pacientes responderam ao questionário.
Dessas, apenas 4,13% sabiam que, de acordo com as diretrizes brasileiras, o
rastreamento cervical deveria ser iniciado aos 25 anos de idade, 5,17% sabiam que
ele deveria ser encerrado aos 64 anos e 97,93% esperavam um intervalo menor do
que o trienal recomendado. Após serem informadas sobre as diretrizes, 66,93%
acreditavam que o início aos 25 anos é tardio, 61,5%, que o encerramento aos 64
anos é precoce, 88,37%, que o intervalo trienal é muito longo e 94,06% ficaram com
receio de que problemas de saúde pudessem aparecer nesse intervalo. Dos 44
médicos que responderam ao questionário, embora a maioria concordasse com
as diretrizes, somente 31,82%, 38,64% e 34,1% as seguia com relação à frequência, à
idade de início e à idade de encerramento, respectivamente. Quanto ao EP, aproximadamente
metade dos participantes de cada grupo considerava que o exame
deveria ser realizado nas consultas regulares com o ginecologista. Conclusão:
Foi
observada uma discrepância entre as expectativas das pacientes e as diretrizes
para o rastreamento de câncer cervical. A maior parte das pacientes não as conhecia
e, quando informadas, não concordava com elas. Quanto aos médicos ginecologistas-
obstetras, a maioria não as seguia, apesar de conhecê-las. Quanto ao EP,
grande parte dos médicos e pacientes considerava-o importante e acreditava que
ele deveria ser realizado de forma rotineira nas consultas ginecológicas.
Objective:
Evaluate the attitudes and beliefs of patients and
obstetrician-gynecologists about cervical screening and pelvic
examination in the University Hospital of Brasília (HUB).
Methods:
Face-to-face interviews with patients waiting for
a previously scheduled consultation at the gynecology outpatient
clinics and attending obstetrician-gynecologists at
the HUB. Each group answered a questionnaire addressing
cervical screening and pelvic examination (PE). Results:
387
patients answered the questionnaire. Of these, only 4.13%
were aware that, according to Brazilian guidelines, cervical
screening should begin at age 25, 5.17% that it should stop
at age 64 and 97.93% expected a shorter interval than the
recommended triennial. After being informed of the guidelines,
66.93% believed that starting at age 25 is late, 61.5% that
stopping at 64 is early, 88.37% that the triennial interval is too
long, and 94.06% would be afraid that health problems could
appear during the interval. Of the 44 participating physicians,
although most agreed with the guidelines, only 31.82%,
38.64% and 34.1% followed them regarding frequency, starting
and stopping age, respectively. As for EP, approximately half
of the participants in each group believed that it should be
performed in regular consultations with the gynecologist.
Conclusion:
There was a discrepancy between patients’ expectations
and cervical screening guidelines. Most patients
didn’t know and, when informed, didn’t agree with them. As
for Ob-Gyn physicians, most did not follow these guidelines,
despite knowing them. As for pelvic exam, most physicians
and patients considered it important and believed it should
be routinely performed during gynecological consultations.