Rev. bras. ginecol. obstet; 25 (1), 2003
Publication year: 2003
Objetivos:
determinar os desfechos maternos e neonatais de acordo com a aplicaçäo ou näo de estimulaçäo elétrica transcutânea (EET) para alívio da dor do trabalho de parto antes da instalaçäo da técnica combinada (raquianestesia + peridural). Métodos:
realizou-se ensaio clínico, randomizado, aberto, envolvendo 22 parturientes, com gestaçäo a termo e feto único em apresentaçäo cefálica, atendidas em hospital-escola de nível terciário em Recife, Brasil. Estas pacientes foram randomizadas para receber ou näo EET antes da instalaçäo da anestesia combinada (raquianestesia + anestesia peridural) para analgesia de parto. Avaliaram-se a intensidade da dor pela escala analógica visual (EAV), o tempo transcorrido entre a avaliaçäo inicial e a necessidade de instalaçäo da anestesia combinada, a duraçäo do trabalho de parto, a freqüência de cesariana e parto instrumental, os escores de Apgar e a freqüência de hipóxia neonatal. Para análise estatística, foram utilizados os testes de Mann-Whitney e exato de Fisher, considerando-se o nível de significância de 5 por cento. Resultados:
o tempo decorrido entre a avaliaçäo da dor da parturiente e a necessidade de instalaçäo da técnica combinada foi significativamente maior no grupo da EET (mediana de 90 minutos) quando comparado ao grupo controle (mediana de 30 minutos). A duraçäo do trabalho de parto foi similar nos dois grupos (em torno de seis horas). Näo houve diferença na evoluçäo dos escores de EAV durante o trabalho de parto. A freqüência de cesariana foi de 18,2 por cento nos dois grupos. Apenas um parto foi ultimado a fórcipe, no grupo controle. A mediana do escore de Apgar no quinto minuto foi 10, näo se encontrando nenhum caso de hipóxia neonatal. Conclusões:
a aplicaçäo de EET foi efetiva em retardar a instalaçäo da anestesia combinada para manter analgesia satisfatória durante o trabalho de parto, porém näo apresentou efeito significativo sobre a intensidade da dor e a duraçäo do trabalho de parto. Näo houve efeitos deletérios maternos e neonatais