História da medicina em Sergipe

Publication year: 2006

A passagem do século XIX para o século XX foi marcada pelo ideário de modernização, progresso e civilização no Brasil. Contudo, essa transição possuía algumas ambigüidades com traços bastantes ainda coloniais e incorporação de novos elementos modernos. E como cartão –postal dessas mudanças, algumas cidades, especialmente as capitais, sofreram um conjunto de intervenções que mudaria os hábitos, costumes, comportamentos e valores da população. O conhecimento do contágio e das teorias pasteurianas no final do século XIX e início do século XX suplantava gradativamente as teorias do animismo ou do vitalismo, contribuindo para a noção de saúde, modificando as atitudes da sociedade e reorganizando os costumes sociais. Inexoravelmente, o discurso da medicina proveniente das pesquisas científicas ainda convivendo com os tratamentos laicos tem supremacia sobre a medicina desprovida dos conhecimentos fisiopatológicos e das práticas de cura populares. Cada vez mais eram substituídos os métodos de depuração sanguínea através das lancetas ou das sanguessugas com o objetivo de retirar o “sangue ruim”, os amuletos, as rezas, as mesinhas, os ungüentos, os rituais supersticiosos. A medicina demonstrava a sua capacidade de curar com eficácia, de afastar os incômodos dolorosos, contribuindo para sustentar a moral do doente, evitando os excessos e as transgressões do corpo. O discurso da medicina oficial se tornava iluminado pelo combaté eficiente aos micróbios, recomendando água limpa, sabão, medidas higiênicas de lavar as mãos, o corpo e as dependências da casa. Passou a existir a noção do risco do contágio, estabelecendo em definitivo na prática as teorias do agente biológico, do micróbio causador da doença.

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