Perfil imuno-histoquímico de marcadores associados à transição epitelial-mesenquimal em lesões odontogênicas epiteliais benignas
Immunohistochemical profile of markers associated with epithelial-mesenchymal transition in benign epithelial odontogenic lesions
Publication year: 2022
Theses and dissertations in Portugués presented to the Universidade Federal do Rio Grande do Norte to obtain the academic title of Doutor. Leader: Queiroz, Lélia Maria Guedes
Os cistos e tumores odontogênicos, lesões que acometem o complexo maxilomandibular,
podem exibir comportamento clínico-biológico mais agressivo. E a transição epitelialmesenquimal (TEM), processo pelo qual as células epiteliais perdem propriedades fenotípicas
e adquirem características de células mesenquimais, incluindo maior motilidade e capacidade
de invasão, através da regulação de fatores centrais de transcrição e suas vias associadas, podem
fazer parte de características associadas às lesões odontogênicas. Dessa forma, o presente
trabalho buscou analisar e comparar a expressão imuno-histoquímica de proteínas (Zeb1, Ecaderina, N-caderina e vimentina) envolvidas no processo de TEM, em lesões odontogênicas
epiteliais benignas. A amostra consistiu em 88 casos de lesões odontogênicas, das quais
compreendem 28 casos de ameloblastoma (AB), 30 de ceratocisto odontogênico (CO) e 30 de
cisto dentígero (CD). Todos os espécimes submetidos à técnica imuno-histoquímica foram
avaliados por microscopia de luz, e submetidos à escolha aleatória de 5 (cinco) campos, os
quais foram fotografados em um aumento de 400x. A avaliação da expressão de cada
marcador, a partir da análise em seu compartimento celular específico, foi feita de forma semiquantitativa, através da multiplicação dos escores associados à porcentagem de células
imunomarcadas pelos escores relacionados à intensidade da coloração, sendo feita uma média
dos cinco campos e o resultado definido como baixa expressão ou alta expressão, conforme
metodologia utilizada. As associações foram feitas através do teste de Qui-quadrado e as
correlações através do teste de correlação de Spearman. O nível de significância foi estabelecido
em 5% (p < 0,05). Os resultados mostraram um pico de prevalência entre a 2ª e 3ª décadas de
vida, em todas as lesões estudadas, com um acometimento maior em região posterior de
mandíbula, e os ABs foram as lesões de maiores tamanhos, com 65% medindo acima de 2,5cm.
A imuno-histoquímica evidenciou baixa expressão de Zeb1 em epitélio odontogênico das lesões
estudadas, alta expressão de E-caderina e N-caderina, e uma expressão intermediária de
vimentina. Quando realizada a correlação entre os marcadores, observou-se nos casos de AB
uma correlação positiva e moderada entre Zeb1 nuclear e E-caderina membranar, Zeb1
citoplasmática e E-caderina membranar e entre E-caderina e vimentina citoplasmáticas. Como
também uma correlação positiva moderada, nos casos de CD, entre Zeb1 nuclear e vimentina
citoplasmática, e entre Zeb1 e vimentina citoplasmáticas. Logo, podemos concluir que Zeb1 pode estar atuando indiretamente nas vias responsáveis pelo crescimento e características
morfológicas dessas lesões estudadas. Além disso, a expressão diferencial de E-caderina, Ncaderina e vimentina demonstraram fazer parte de um processo de TEM parcial nas lesões
odontogênicas epiteliais benignas estudadas (AU).
Odontogenic cysts and tumors, lesions that affect the maxillomandibular complex, may exhibit
a more aggressive clinical-biological behavior. And the epithelial-mesenchymal transition
(EMT), a process by which epithelial cells lose phenotypic properties and acquire
characteristics of mesenchymal cells, including increased motility and invasiveness, through
the regulation of central transcription factors and their associated pathways, may be part of
characteristics associated with odontogenic lesions. Thus, the present work sought to analyze
and compare the immunohistochemical expression of proteins (Zeb1, E-cadherin, N-cadherin
and vimentin) involved in the MET process in benign epithelial odontogenic lesions. The
sample consisted of 88 cases of odontogenic lesions, comprising 28 cases of ameloblastoma
(AB), 30 of odontogenic keratocyst (CO) and 30 of dentigerous cyst (CD). All specimens
submitted to the immunohistochemical technique were evaluated by light microscopy and
submitted to the random choice of 5 (five) fields, which were photographed at a magnification
of 400x. The evaluation of the expression of each marker, based on the analysis in its specific
cellular compartment, was carried out in a semi-quantitative manner, through the multiplication
of the scores associated with the percentage of immunostained cells by the scores related to the
intensity of staining, with an average of the five fields and the result defined as low expression
or high expression, according to the methodology used. The associations were made using the
chi-square test and the correlations using the Spearman correlation test. The significance level
was set at 5% (p < 0.05). The results showed a prevalence peak between the 2nd and 3rd decades
of life, in all the lesions studied, with a greater involvement in the posterior region of the
mandible, and the ABs were the largest lesions, with 65% measuring above 2, 5cm.
Immunohistochemistry showed low expression of Zeb1 in the odontogenic epithelium of the
lesions studied, high expression of E-cadherin, high expression of N-cadherin and an
intermediate expression of vimentin. When the correlation between the markers was performed, a positive and moderate correlation was observed in the cases of AB between nuclear Zeb1 and
membrane E-cadherin, cytoplasmic Zeb1 and membrane E-cadherin and between cytoplasmic
E-cadherin and vimentin. As well as a moderate positive correlation, in CD cases, between
nuclear Zeb1 and cytoplasmic vimentin, and between cytoplasmic Zeb1 and vimentin.
Therefore, we can conclude that Zeb1 may be acting indirectly on the pathways responsible for
the growth and morphological characteristics of these lesions studied. Furthermore, the
differential expression of E-cadherin, N-cadherin and vimentin was shown to be part of a partial
TEM process in the benign epithelial odontogenic lesions studied (AU).