Sobrevida de crianças com HIV/AIDS infectadas por transmissão vertical no Brasil com diagnóstico de 2003 a 2007
Survival of children with HIV/AIDS infected through vertical transmission in Brazil diagnosed from 2003 to 2007

Publication year: 2024
Theses and dissertations in Portugués presented to the Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública to obtain the academic title of Doutor. Leader: Waldman, Eliseu Alves

Introdução:

A introdução da terapia antirretroviral combinada (TARVc) tem mudado os padrões da morbimortalidade associados a AIDS.

Objetivos:

Estimar para uma coorte de crianças com AIDS, por transmissão vertical, diagnosticadas no Brasil, no período de 2003 a 2007, a taxa de mortalidade por AIDS, a mediana do tempo de progressão da infecção pelo HIV até a AIDS e desta até o óbito, investigar fatores associados a sobrevida e analisar a homogeneidade dessas métricas por Regiões de residência.

Métodos:

Estudo de coorte com crianças infectadas pelo HIV por transmissão vertical, menores de 13 anos, selecionadas com diagnóstico de AIDS, no período de 2003 a 2007 e seguidas até 2014. Estudo composto por um componente retrospectivo, do ingresso no estudo com AIDS até o nascimento, e um prospectivo, do diagnóstico de AIDS até o óbito ou término do acompanhamento.

As informações foram obtidas nas bases de dados do Ministério da Saúde:

Sistema de informação de agravos de notificação (Sinan), Sistema de Controle de Exames Laboratoriais (Siscel), Sistema de Controle Logístico de Medicamento (Siclom), Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). A população de estudo foi formada mediante o relacionamento das bases citadas pelo método probabilístico.

As variáveis de estudo foram:

sociodemográficas, relativas ao pré-natal e o parto, ao diagnóstico, aos aspectos clínicos e relativas ao tratamento e desfecho. Foi realizada análise descritiva da população de estudo e análise comparativa das variáveis categóricas utilizando o teste qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher e estimada a taxa de mortalidade por AIDS. Para estimar a mediana do tempo livre da AIDS e tempo de sobrevida com AIDS foi utilizado o estimador produto limite de Kaplan-Meier; para investigação dos fatores associados a sobrevida utilizou-se o modelo de riscos proporcionais de Cox, efetuando as estimativas das razões de "hazard" (HR) brutos e ajustados, com respectivos intervalos de confiança de 95% (IC=95%).

Resultados:

A população de estudo foi formada por 3.464 crianças. A mediana do tempo livre de AIDS foi de 45,3 meses, sendo maior na Região Sul (52,2) e menor na Região Nordeste (36,5). A taxa de mortalidade por AIDS foi de 0,9/1.000 pessoa-mês. A probabilidade acumulada do tempo de sobrevida com AIDS foi de 90,4% até 108 mês, sendo maior na Região Sul (91,9%) e menor na Norte (87,0%). A maioria das crianças estava viva ao final do seguimento (88,2%). Mostraram-se independentemente associados ao tempo de sobrevida com AIDS: contagem de linfócitos T CD4+ alterada no diagnóstico de AIDS (HRajust=2,40); não usar TARVc (HRajust=2,41); carga viral no diagnóstico de AIDS >200.000 cópias/mL (HRajust=3,52); idade entre 9-12 anos no diagnóstico de AIDS (HRajust=5,71); residir na Região Norte (HRajust=2,23); raça/cor não branca (HRajust=1,45); residir em municípios <40.000 habitantes (HRajust=1,78); e carga viral entre 50.000-200.000 cópias/mL no diagnóstico de AIDS (HRajust=1,65).

Conclusões:

Os resultados reafirmam o fortalecimento das políticas públicas no contínuo aumento da sobrevida com AIDS; entretanto, apontam para a heterogeneidade no acesso, distribuição e qualidade dos serviços ofertados entre as Regiões.

Introduction:

The introduction of combined antiretroviral therapy (cART) has changed the AIDS-associated morbidity and mortality patterns.

Objectives:

To estimate for a cohort of children with AIDS, vertically transmitted, diagnosed throughout Brazil, from 2003 to 2007, the mortality rate from AIDS, the median time from progression of HIV infection to AIDS and the median survival time as well as to investigate factors associated with survival.

Methods:

Cohort study, involving children with HIV through vertical transmission, under 13 years of age at the time of AIDS diagnosis, which occurred between 2003 and 2007, and followed up until the end of 2014. This study consists of a retrospective component, that is, from entry into the study with AIDS until birth, and a prospective component, from the diagnosis of AIDS at study entry until death or end of follow-up.

The information was obtained from the Ministry of Health databases:

Notification Disease Information System (Sinan), Laboratory Testing Control System (Siscel), Logistic Drug Control System (Siclom), Mortality Information System (SIM) and Live Birth Information System (SINASC). The database analyzed by the study was formed by the relationship of the mentioned bases, by the probabilistic method. The study variables were sociodemographic, related to antenatal care and delivery, diagnosis, clinical aspects, and those related to treatment and outcome. Initially, a descriptive analysis of the study population's characteristics was conducted. For comparative analysis of categorical variables, Pearson's chi-square or Fisher's exact test was used. AIDS mortality rates, per person time was estimated. To estimate the median time from infection to AIDS and the median survival time was used the Kaplan-Meier limit product estimator; to investigate the factors associated with survival was used the Cox proportional hazards model, estimating the crude and adjusted hazard ratios (HR), with respective confidence intervals of 95% (CI = 95%).

Results:

The study population consisted of 3,464 children. The median AIDS-free time was 45.3 months, being higher in the Southern Region (52.2) and lower in the Northeastern Region (36.5). The AIDS mortality rate was 0.9/1,000 person-months. The cumulative probability of survival time with AIDS was 90.4% up to 108 months, being higher in the Southern Region (91.9%) and lower in the Northern Region (87.0%). The majority of children were alive at the end of the follow-up period (88.2%).

The following factors were independently associated with survival time in AIDS:

altered CD4+ T lymphocyte count at AIDS diagnosis (HRajust=2.40); not using cART (HRajust=2.41); viral load at AIDS diagnosis >200,000 copies/mL (HRajust=3.52); age between 9-12 years at AIDS diagnosis (HRajust=5.71); residing in the Northern Region (HRajust=2.23); non-white race/ethnicity (HRajust=1.45); residing in municipalities with <40,000 inhabitants (HRajust=1.78); and viral load between 50,000-200,000 copies/mL at AIDS diagnosis (HRajust=1.65).

Conclusions:

The results reaffirm the strengthening of public policies in the continuous increase of survival with AIDS; however, they highlight heterogeneity in access, distribution, and quality of services provided across regions.

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