Publication year: 2025
Theses and dissertations in Portugués presented to the Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública to obtain the academic title of Mestre. Leader: Alencar, Gizelton Pereira
Introdução:
O óbito fetal é um evento que sofre o efeito de múltiplas condições de saúde da mãe e do feto. Objetivo:
Desenvolver variáveis latentes para os constructos de condição socioeconômica e psicossocial e construir modelos de equações estruturais para determinar os fatores de risco do óbito fetal, a partir da multiplicidade de dimensões que consideraram: hábitos da mãe, histórico obstétrico e assistência na gestação. Métodos:
Estudo de caso-controle para a população de óbitos fetais e nascidos vivos de mães residentes no município de São Paulo, obteve dados de 401 casos e 419 controles. No entanto, neste trabalho, foram utilizados dados de 419 controles e 348 casos (óbitos anteparto). A modelagem de equações estruturais foi utilizada para. a mensuração das variáveis latentes (condição socioeconômica e psicossocial) e modelagem dos fatores de risco para o óbito fetal, a partir do modelo teórico inicial. Resultados:
As mães que não fizeram pré-natal e que fumaram durante a gestação apresentaram maior chance de ter um óbito fetal (p = 0,0005 e p = 0,014, respectivamente). Além disso, foi encontrado efeito indireto da latente psicossocial via pré-natal até chegar no óbito fetal (p = 0,031), além do efeito de situação conjugal, via psicossocial e pré-natal, em direção ao desfecho (p = 0,028). Ou seja, indiretamente, a situação conjugal passa pelas reações negativas à gestação, ao não fazer pré-natal e, consequentemente, pode levar ao óbito fetal. Por sua vez, as reações negativas à gestação afetam a assistência ao pré-natal. Conclusões:
As reações negativas com relação à gestação sugerem possível falta de suporte social e afetivo ao longo da gestação, que afetam diretamente o pré-natal. Políticas de saúde pública devem enfocar não apenas na assistência pré-natal, mas também na inclusão de suporte psicossocial, visando reduzir os efeitos de não fazer pré-natal. O estudo ressalta a necessidade de uma abordagem integral, que considere as dimensões sociais, emocionais e comportamentais que afetam a saúde materno-infantil.
Introduction:
Fetal death is an event that suffers the effects of multiple health conditions of the mother and fetus. Objective:
To develop latent variables for the constructs of socioeconomic and psychosocial conditions; and build structural equation models to determine the risk factors for fetal death, based on the multiplicity of dimensions that consider: the mothers habits; obstetric history; assistance during pregnancy; and complications during pregnancy. Methods:
Case-control study for the population of fetal deaths and live births of mothers living in the city of São Paulo, obtained data from 401 cases and 419 controls. However, in this analysis, data from 419 controls and 348 cases (antepartum deaths) were used. Structural equation modeling was used to measure latent variables (socioeconomic and psychosocial conditions) and model risk factors for fetal death, based on the initial theoretical model. Results:
Mothers who did not receive prenatal care and who smoked during pregnancy were more likely to have a fetal death (p = 0.005 and p = 0.014, respectively). Furthermore, an indirect effect of the psychosocial latent via prenatal care was found until fetal death (p = 0.031), in addition to the effect of marital status, via psychosocial and prenatal care, towards the outcome (p = 0.028). In other words, indirectly, the marital situation involves negative reactions to pregnancy, not taking prenatal care and, consequently, can lead to fetal death. In turn, negative reactions to pregnancy affect prenatal care. Conclusions:
Negative reactions regarding pregnancy suggest a possible lack of social and emotional support throughout pregnancy, which directly affects prenatal care. Public health policies should focus not only on prenatal care, but also on the inclusion of psychosocial support, aiming to reduce the effects of not receiving prenatal care. The study highlights the need for a comprehensive approach, which considers the social, emotional, and behavioral dimensions that affect maternal and child health.