Impacto das condições bucais e do senso de coerência dos pais/cuidadores na qualidade de vida relacionada à saúde bucal de crianças/adolescentes com e sem transtorno do espectro autista e de suas famílias
Impact of oral conditions and sense of coherence of parents/caregivers on the oral health-related quality of life of children/adolescents with and without autism spectrum disorder and their families
Publication year: 2024
Theses and dissertations in Portugués presented to the Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Odontologia to obtain the academic title of Doutor. Leader: Paiva, Saul Martins de
Esta tese apresenta dois artigos que avaliaram o impacto das condições bucais de crianças/adolescentes com e sem transtorno do espectro autista (TEA), o Senso de Coerência (SOC) dos pais/cuidadores e as características sociodemográficas das famílias na qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) das crianças/adolescentes e no funcionamento familiar. Este estudo transversal, realizado no Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente de Juiz de Fora, Brasil, incluiu 164 crianças/adolescentes (82 com TEA e 82 sem TEA, pareadas por idade e sexo) de três a 16 anos e seus pais/cuidadores. Empregou-se aos pais/cuidadores questionário sobre dados sociodemográficos, além dos instrumentos SOC-13 (avalia a adaptabilidade dos indivíduos a situações estressantes), Family Impact Scale (mede o impacto das condições bucais infantis na QVRSB de suas famílias) e Parental-Caregiver Perceptions Questionnaire (avalia o impacto das condições bucais das crianças na sua QVRSB percebida pelos pais/cuidadores). As crianças/adolescentes foram examinadas clinicamente para avaliar cárie dentária (CPO-D/ceo-d), consequências clínicas de cárie dentária não tratada (PUFA/pufa), traumatismo dentário e má oclusão. Foram realizados testes descritivos, Mann-Whitney e regressão de Poisson (P<0,05). O artigo I mostrou que pais/cuidadores de indivíduos com TEA relataram maior impacto negativo das condições bucais das crianças/adolescentes no funcionamento familiar (P<0,001). Analisando os resultados por domínios, achados semelhantes foram observados nos domínios “emoções parentais” (P<0,001) e “conflito familiar” (P<0,001). No grupo com TEA, meninas (RR=1,20; IC95%1,01–1,42), menor escolaridade materna (RR=1,17; IC95%1,02–1,35), menor renda familiar (RR=1,63; IC95%1,26–2,11), maior número de indivíduos na família (RR=1,33; IC95%1,14–1,54), presença de cárie dentária não tratada (RR=1,29; IC95%1,12–1,48) e menor SOC parental (RR=1,34; IC95%1,17–1,53) foram associados a um maior impacto negativo na QVRSB das famílias. No grupo sem TEA, presença de cárie dentária não tratada (RR=1,30; IC95% 1,09–1,56), suas consequências clínicas (RR=1,43; IC95%1,13–1,80) e menor SOC parental (RR=2,83; IC95%2,36–3,41) impactaram negativamente a QVRSB das famílias. No artigo II, não houve associação significativa entre condições bucais e a QVRSB das crianças em ambos os grupos (P>0,05). No grupo com TEA, maior SOC parental foi associado a um menor impacto negativo na QVRSB das crianças percebido pelos pais (RR=0,97; IC95%0,95–0,99). No grupo sem TEA, quanto maior a idade das crianças (RR=1,09; IC95%1,01–1,17), maior o impacto negativo na QVRSB percebida pelos pais, enquanto maior SOC parental (RR=0,96; IC95%0,94–0,98) foi associado a um menor impacto na QVRSB percebida pelos pais. Concluiu-se que o impacto das condições bucais de crianças/adolescentes com TEA no funcionamento familiar foi maior quando comparado com o grupo sem TEA. O nível socioeconômico, a presença de cárie dentária não tratada e o SOC parental impactaram a QVRSB das famílias. Além disso, as condições bucais não impactaram a QVRSB percebida pelos pais de crianças/adolescentes com e sem TEA. No entanto, o SOC parental impactou significativamente a percepção dos pais/cuidadores sobre a QVRSB de suas crianças/adolescentes.
This thesis presents two articles that evaluated the impact of oral conditions of children/adolescents with and without autism spectrum disorder (ASD), the Sense of Coherence (SOC) of parents/caregivers and the sociodemographic characteristics of families on the oral health-related quality of life (OHRQoL) of children/adolescents and on family functioning. This cross-sectional study, conducted at the Department of Child and Adolescent Health in Juiz de Fora, Brazil, included 164 children/adolescents (82 with ASD and 82 without ASD, matched by age and sex) aged 3 to 16 years and their parents/caregivers. Data were collected from parents/caregivers using a sociodemographic questionnaire, the SOC-13 instrument (assessing stress adaptability), the Family Impact Scale (measuring the impact of children’s oral conditions on their families’ OHRQoL), and the Parental-Caregiver Perceptions Questionnaire (evaluating the perceived impact of children's oral conditions on their OHRQoL). Children/adolescents were clinically examined to assess dental caries (DMFT/dmft), clinical consequences of untreated dental caries (PUFA/pufa), dental trauma, and malocclusion. Descriptive, Mann-Whitney, and Poisson regression tests were performed (P<0.05). Article I showed that parents of individuals with ASD reported a greater negative impact of oral conditions on family functioning (P<0.001). Analyzing the results by domains, similar findings were observed in the domains of "parental emotions" (P<0.001) and "family conflict" (P<0.001). In the ASD group, girls (RR=1.20; 95%CI 1.01–1.42), lower maternal education (RR=1.17; 95%CI1.02–1.35), lower family income (RR=1.63; 95%CI 1.26–2.11), higher number of individuals in the family (RR=1.33; 95%CI1.14–1.54), presence of untreated dental caries (RR=1.29; 95%CI1.12–1.48), and lower parental SOC (RR=1.34; 95%CI1.17–1.53) were associated with a greater negative impact on families’ OHRQoL. In the non-ASD group, the presence of untreated dental caries (RR=1.30; 95%CI1.09–1.56), clinical consequences (RR=1.43; 95%CI1.13–1.80), and lower parental SOC (RR=2.83; 95%CI2.36–3.41) negatively impacted the families’ OHRQoL. In article II, no significant association was found between oral conditions and children’s OHRQoL in either group (P>0.05). In the ASD group, higher parental SOC was associated with a lower perceived OHRQoL impact (RR=0.97; 95%CI0.95–0.99). In the group without ASD, the older the children's age (RR=1.09; 95%CI 1.01–1.17), the greater the negative impact on the OHRQoL perceived by the parents, and higher parental SOC (RR=0.96; 95%CI0.94–0.98) to lower perceived impact. In conclusion, the impact of the oral conditions of children/adolescents with ASD on family functioning was greater compared to the non-ASD group. Socioeconomic status, presence of untreated dental caries, and parental SOC impacted the families’ OHRQoL. Furthermore, oral conditions did not impact the perceived OHRQoL of children with or without ASD, but parental SOC significantly shaped parents’ perceptions of their children’s/adolescents’ OHRQoL.